Zika e a Microcefalia



Recentemente, fomos bombardeados com notícias sobre a epidemia de Zika vírus que tomou conta do Brasil, e da sua relação com o aumento de casos de microcefalia nos recém nascidos. O Zika vírus foi encontrado no sangue de macacos africanos que viviam na Floresta Zika (daí o nome do vírus), em Uganda, em 1947. Na ocasião, viu-se que esse vírus causava febre somente quando injetado no cérebro de camundongos, demonstrando sua predileção pelo Sistema Nervoso, o que foi confirmado por estudos posteriores. Os bebês humanos são gerados dentro de uma bolsa no útero materno e seu contato com a mãe se dá através do cordão umbilical e da placenta. Sangue fetal e sangue materno raramente entram em contato, pois entre eles há uma barreira formada pela placenta, que dentre diversas funções protege o feto em desenvolvimento, de substâncias e microorganismos que possam estar presentes no sangue materno. Mas como nem tudo na natureza é perfeito, essa barreira é vulnerável, e permite a passagem de algumas substâncias, alguns vírus (o da Rubéola é um caso), e até mesmo de certos protozoários (o que causa toxoplasmose, por exemplo). O Zika vírus também passa pela placenta, cai no sangue fetal, e chega ao feto através do cordão umbilical, atacando assim o sistema nervoso preferencialmente, prejudicando seu desenvolvimento e causando a microcefalia. Isso acontece porque esse vírus parece “gostar” de uma proteína (proteína AXL) presente nas membranas de células que formarão os neurônios, por exemplo, e usam essa proteína para entrar nessas células, causando problemas no funcionamento dos genes e prejudicando o crescimento e divisão celulares. Com isso o sistema nervoso não se desenvolve direito e temos a microcefalia. Entretanto, muito ainda precisa ser estudado para entender essa relação, já que nem todos os fetos expostos ao vírus (por sorte a maioria) desenvolvem a microcefalia.



Prof. Dr. Alberto da Silva Moraes

Setor de Histologia - Instituto de Ciências Biomédicas

Universidade Federal de Uberlândia

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