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Um tesouro submerso




Os oceanos e mares fascinam os seres humanos desde a antiguidade, provendo uma infinidade de recursos que incluem desde alimentos até combustíveis. Como consequência, vimos crescer ao longo dos séculos o interesse pelas aplicações biotecnológicas dos recursos marinhos, impulsionando o que chamamos de Biotecnologia Azul.   


De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), a biotecnologia azul é a aplicação da ciência e tecnologia aos organismos aquáticos vivos: microalgas, algas, bactérias, fungos e invertebrados, como estrelas do mar, pepinos do mar e ouriços do mar para a produção de conhecimento, bens e serviços que incluem a transformação de biomassa aquática em alimentos, rações, nutracêuticos, farmacêuticos, cosméticos, energia, embalagens, roupas e muito mais. No campo das aplicações farmacêuticas temos, até agora, catorze medicamentos inspirados nos produtos naturais marinhos, sendo nove deles usados para tratar o câncer. Além disso, existem dezenas de substâncias sendo testadas para o desenvolvimento de novos medicamentos, o que pode trazer muitos benefícios para aquelas pessoas que precisam de tratamento.  


O Brasil tem a segunda maior costa do mundo, que ainda é pouco estudada pelos cientistas. Sabemos, por exemplo, que cada grama de areia contém mais de um bilhão de bactérias!!! Cada uma dessas bactérias pode produzir substâncias com algum tipo de aplicação farmacêutica. Podemos dizer, então, que temos um tesouro submerso nos nossos mares e oceanos, aguardando para ser descoberto. 


Em nosso laboratório, buscamos novas substâncias que possam inspirar o desenvolvimento de fármacos para o tratamento do câncer a partir de bactérias marinhas coletadas na costa e nas ilhas oceânicas brasileiras, assim como na Antártica e no fundo do mar. Ao longo dos anos, montamos uma coleção com mais de 1500 bactérias identificadas e já isolamos algumas dezenas de substâncias ativas em modelos de câncer. Algumas dessas substâncias se mostram promissoras e continuam sendo estudadas em maior profundidade. Esperamos a partir disso contribuir com o desenvolvimento tecnológico e também entender um pouco mais sobre essa complexa doença que é o câncer. Esses achados reforçam a necessidade de preservar nossos recursos naturais que podem trazer soluções para muitos problemas que atingem a humanidade. 






Profª. Drª. Leticia Veras Costa Lotufo 

ICB

USP











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