Paralelo entre biodiversidade e doenças



A hipótese denominada “efeito de diluição” foi proposta para explicar o aumento na predominância da doença de Lyme em decorrência da perda de biodiversidade nos Estados Unidos. Em ambientes preservados, o número de bons transmissores do

microrganismo causador da doença está equilibrado com o de maus transmissores, ou seja, está “diluído” no total de espécies. Quando se trata de áreas degradadas e com baixa diversidade de espécies, o risco de transmissão aumenta consideravelmente. Neste caso, pode ocorrer ainda o que é chamado de “transbordamento” dos microrganismos causadores de doenças, o que nada mais é que sua transmissão para espécies às quais originalmente não entravam em contato. Assim, mesmo que alguns ciclos de transmissão também sejam afetados por desequilíbrios ambientais, é consensual que a manutenção dos ecossistemas desponte como uma medida eficiente para a redução das doenças, em especial, daquelas de origem animal.

Mesmo que ainda se discuta sobre essa hipótese, sabe-se que mais da metade das doenças são de origem animal, sendo grande parte oriundas da vida silvestre e de desequilíbrios nos ecossistemas. Nessa perspectiva, o desmatamento e a expansão desordenada das cidades favorecem um maior contato entre as espécies silvestres com os seres humanos e seus animais domésticos e possibilita, portanto, tal “transbordamento” de microrganismos. Assim, para antevermos epidemias, além de apoiar políticas de conservação, também devemos valorizar pesquisas sobre doença sem ambientes naturais.






Prof. Marco M. de Oliveira

Doutorando PPIPA-UFU

UEMG

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