Febre Amarela: um efeito das agressões ambientais



A proliferação da Febre Amarela, doença tida como extinta no País, reassume posição de risco por sua capacidade letal. Por muito tempo, pessoas que se dedicam à luta pela conservação do meio ambiente têm sido vistas com olhares de desconfiança pelos donos dos “meios de produção industrial” e “donos das terras”. Não só por eles, mas também por setores sociais de proletários com aspiração burguesa, legítima ou não, que preferiram considerar os ambientalistas como inimigos do “desenvolvimento” econômico e dos processos produtivos capitalistas. Agora, estamos diante de realidades que aceleram o aparecimento e revigoramento de doenças que possuem vínculo com as agressões contra o meio ambiente.


A contaminação dos rios por aplicação de agrotóxicos nas lavouras, pelas chuvas ácidas, pelo lançamento de venenos em lavouras com a utilização de aeronaves, a remoção das coberturas vegetais das Áreas de Preservação Permanente, os lançamentos de efluentes industriais e domésticos nos cursos de água, entre outros impactos negativos (que afetam rios, vegetação e os demais seres vivos) são responsáveis pelo extermínio dos peixes nos corpos de água e também pelo extermínio de animais (como batráquios, por exemplo). As larvas do mosquito transmissor da dengue, febre amarela, Zika; em geral localizam-se em corpos de água que servem para alimentação de animais aquáticos.


Os sapos e rãs também se servem dessas larvas e desse inseto. O extermínio desses animais é altamente favorável à proliferação dessas enfermidades que estavam sob controle por ação de componentes da natureza. Aí está o exemplo e a conseqüência da falta de cuidados com as inter-relações entre Saúde e o Meio ambiente. Houve a suspeita de que a febre amarela teve início em Minas Gerais e Espírito Santo em função do crime ambiental provocados na bacia hidrográfica do Rio Doce, devido ao rompimento da barragem em Mariana. Claro que em Mariana apresentam-se componente para desencadear os processos que atacam primatas e repercutem nos seres humanos e outros animais.


Contudo, a proliferação da doença em diversos estados brasileiros, mostra que nestas condições de clima e a interferência nos demais componentes da natureza, colocam-se as possibilidades de ressurgimento e evolução de doenças associadas a temas ambientais, especialmente aos recursos hídricos, vegetação e animais. Estes elementos nos mostram que os macacos não são a causa da disseminação da febre amarela. Eles mostram onde os riscos com a doença estão mais ativos, mas não apenas por isso devem ser preservados. Sempre que extinguimos uma espécie natural (vegetal ou animal) cria-se condições para o rompimento das cadeias de proteção que caracterizam o meio ambiente e com isso as relações com a saúde humana.

Os diversos componentes da natureza são nossos aliados na identificação e no combate às doenças geradas no meio ambiente por ações econômicas e sociais. Se quisermos extinguir as causas e não as conseqüências dessa proliferação de doenças relacionadas aos componentes da natureza, teremos que reorganizar nossos processos produtivos. É indispensável a mudança na aplicação de agrotóxicos na produção vegetal, recuperação das coberturas vegetais, não lançar efluentes industriais e urbanos in natura nos corpos de água. Cabe a todos os cidadãos denunciar o uso indevido dos componentes da natureza e exigir tais mudanças. O que deveria ser feito pelos governos omissos e setores “produtivos”, deverá ser enfrentado pela cidadania.


Prof. Dr. Cláudio Antônio Di Mauro, Instituto de Geografia - UFU


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