Fatores psicológicos associados aos Distúrbios Alimentares



Os distúrbios alimentares, em certos casos, possuem um fator biológico específico: na síndrome de Prader Willi, a hipófise tem função prejudicada e o doente não consegue sentir saciedade. Porém, na maioria dos casos, pesam fatores psicológicos, pois a alimentação é uma prática influenciada por elementos culturais, afetivos e econômicos. É mais fácil seguir uma alimentação saudável se comemos em casa e temos dinheiro para comprar alimentos livremente; é mais difícil seguir uma dieta para diabetes, livre de açúcares e carboidratos, se nossa família almoça massas todos os domingos. A alimentação também se associa à visão que temos do nosso corpo e de nossas relações, como vemos, quando as pessoas utilizam dietas para seguir padrões estéticos ou se enquadrar em expectativas sociais - frequentemente sem apoio profissional ou discussão de critérios mais importantes à saúde, como a condição nutricional do organismo ou a relação que criamos com a alimentação. Podemos encontrar assim, dois aspectos psicológicos principais: nossa relação com o hábito alimentar e nossa imagem corporal. No primeiro caso, a educação familiar, o acesso a alimentos e as necessidades afetivas, podem estruturar distúrbios alimentares que nem sempre são considerados. Por exemplo, quando a obesidade é decorrente de compulsão alimentar e é tratada apenas no aspecto médico, pode piorar problemas psicológicos. Pessoas que não tiveram acompanhamento psicológico e reeducação alimentar durante pelo menos dois anos (como recomenda o SUS) e passam por cirurgia para reduzir o estômago, como tratamento da obesidade, amiúde desenvolvem problemas como alcoolismo, autoperfuração e até mesmo tentam suicídio. No caso da imagem corporal, há uma grande influência das pressões sociais, as quais os adolescentes são ainda mais sensíveis, o que se reflete na incidência de anorexia e bulimia nessa fase da vida. Por isso, o tratamento precisa passar pela compreensão do modo como o sujeito construiu sua identidade e o papel da imagem corporal no processo.



Profª Drª Tatiana Benevides Magalhães Braga

Instituto de Psicologia - UFU

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